Carta para uma mãe de primeira viagem

Querida mamãe de primeira viagem,

Esse novo universo que está se abrindo para você é cheio de emoções. Você vai experimentar sensações jamais sentidas na sua vida, preocupações angustiantes, alegrias que não cabem em você. A sua vida vai mudar de tal maneira que não tem volta. E você, também, não vai querer voltar.

Outro dia, revendo o filme Encontros e Desencontros, reparei num diálogo que resume bem o que estou falando e que dei pouca atenção quando não era mãe. Aliás, muitas coisas só vão fazer sentido depois que você virar mãe.

O personagem Bob fala para Charlote que tudo fica bem mais complicado quando você tem filhos e que o dia mais apavorante da sua vida é quando nasce o primeiro. Concordo! Em seguida, ele resume: “A sua vida, como você conhecia, some. Nunca mais volta. Só que eles aprendem a andar e a falar e você quer estar junto deles. E eles acabam se tornando as pessoas mais encantadoras que você conhecerá em sua vida”. E são!

Agora, chega de blá-blá-blá. O objetivo dessa carta não é falar das subjetividades da maternidade, pelo contrário. É para ajudar as futuras mamães com dicas super práticas e verdadeiras para esse início, que é o mais delicado. Sem drama e, também, sem fru-fru.

Se você estiver grávida, talvez esse texto não faça muito sentido pra você – ainda! Por isso, aconselho a voltar nele após o nascimento do baby.

1 - Não fique sozinha com o bebê nas primeiras semanas.
Esteja sempre apoiada por alguém: serve mãe, marido, irmã, tia, empregada. Mas esteja sempre com uma pessoa amiga para você se sentir segura e amparada. E, falando em termos práticos, pra você conseguir fazer as coisas básicas, como: tomar banho, comer, sair pra ver a cara da rua, fazer a unha rapidinho, deitar 15 minutos.

2 – Seja persistente com relação à amamentação.
Dê seu peito, peça ajuda de pessoas especializadas, insista, mas não deixe o bebê ficar com fome porque ele vai chorar, chorar, chorar. Na maioria das vezes, o choro do bebê é de fome. Muitas mães que não têm leite ou não têm o suficiente acham que estão alimentando o seu bebê mas, na verdade, não estão, ou não estão completamente. Se sentir que o seu leite não é suficiente, dê o complemento – sem drama! Mas, se você tiver bastante leite, esquece tudo o que eu falei. Você vai conseguir amamentar numa boa. Talvez terá um pouco de dificuldade para pegar o jeito. Mas isso é super normal.

3 – Leia sobre o assunto.
Como uma autêntica mãe de primeira viagem, eu não sabia nada, nadinha. Não sabia qual era o bico certo da chupeta, não sabia que o bico da mamadeira era de acordo com a idade do bebê, dentre outras coisas práticas. Então, para suprir minha ignorância, eu lia muito. Lia sites de bebês, acessava blogs de mães e comprava muitos livros, desde comportamentais até livros de saúde. Li livro sobre depressão pós-parto, sobre relacionamento entre mãe e filho, relatos de mães, desenvolvimento da criança etc. Isso me ajudou a conhecer esse universo que era totalmente novo pra mim e me deixou um pouco mais informada e segura. Lembre-se: o pediatra não estará 24h ao seu lado para você ficar tirando dúvidas.

4 – Saiba que tudo são fases, e elas passam.
Você tem que entender que ter um filho muda sua vida totalmente. E tomar consciência disso leva um tempo. Até você se acostumar que agora existe um ser que depende totalmente de você, demora, e até o seu bebê se acostumar que ele existe, que ele nasceu e que agora ele tem uma vida fora da barriga, também demora. Então, cada dia é uma vitória. E o bebê vai começar a interagir, a sorrir, a olhar as coisas, a reconhecer você, sua voz. Cada passo diferente que o seu filho der vai ser uma novidade, uma conquista, uma alegria. Acompanhar o desenvolvimento do bebê é mágico, divino, encantador.

5 – Peça ajuda sempre que precisar.
Não tenha medo dos seus sentimentos, bons ou ruins. Quando estiver cansada e estressada (o que é super natural) coloque pra fora, liga pra uma amiga e reclame. Dê um tempo pra você, nem que seja 30 minutos vendo TV, pensando em nada. Divida sempre com o pai as responsabilidades. Só não dá pra dividir a amamentação no peito mas, de resto, ele tem 50% de responsabilidade com o bebê, assim como você. Pense nisso.

Todo o casal que se propõe a ter filhos passa pelo perrengue dos primeiros meses. Não tem escapatória. E isso fortalece a relação, amadurece a gente e nos torna seres humanos melhores. Porque não há experiência mais divina do que a maternidade e a paternidade.
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2 Comentários

  1. Oi Cris! Adorei o texto com as super dicas. Muitas delas já estava fazendo instintivamente, mas é sempre bom ter um olhar mais experiente. Ajuda e muito perceber se estamos no caminho certo. ;)
    Estou vivendo essa fase de mãe de primeira viagem, esperando o nosso tão desejado Neo. Cada mexida dele me deixa hiper feliz. Não foi somente eu que engravidei, meu marido (Altenir) também. Rsrs. Dizem que isso acontece em muitos casais. Os desejos esquisitos ficaram pra ele. Rsrs. E já na reta final, oitavo mês, controlando a ansiedade para o grande mês de agosto, a interação intra-uterina é incrível. Têm pessoas que não acreditam, mas pesquisando, vimos que conversar com o bebê, ler histórias e colocar músicas pra ele só traz benefícios. Depois que nasce o bebê reconhece as vozes dos pais, se acalma com as músicas que ele costumava ouvir e aprecia as histórias já lidas. O Neo curte tudo, acho que ele chega a dançar no útero quando ouve músicas. Rsrs. Estamos bem tranquilos, arrumando os preparativos com muita calma, porque nesta fase final tudo fica mais cansativo pra mim. Buscamos pesquisar e esclarecer as dúvidas que vão surgindo, além de conferir outras experiências de gestantes, pois quanto mais informação menos sofrimento. ;) Enfim, é um momento encantador em que todas as fases são fantásticas e a mãe natureza é sábia, isso é certeza!
    Aguardo seus novos posts, que são sempre maravilhosos! Beijinhos,
    Célia.

    • Obrigada pelo seu depoimento, amiga! Adorei. É sempre bom compartilhar experiências, trocar ideias, pois cada um tem um jeito diferente de encarar as coisas, não é mesmo? Fiquei feliz de saber da participação super ativa do Altenir…rsrsrs, papai do ano!
      Beijos,
      Cris

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